Publicado em ago 2025
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Nas últimas semanas, tive a oportunidade de refletir sobre o papel da
Equidade, Diversidade e Inclusão (EDI) nas organizações e nas
instituições públicas
— incluindo universidades e a sociedade
canadense
em geral.
Minha conclusão, mesmo diante dos movimentos que contrários à EDI, é que
este não é o momento de recuar nos esforços para construir uma sociedade
mais inclusiva, sustentável e justa. É hora de ter coragem moral para
continuar
promovendo a excelência inclusiva
nas universidades e liderando as transformações organizacionais
necessárias para alcançá-la.
As evidências que sustentam os esforços de EDI continuam claras e
contundentes. Tanto pelos
estudos globais de negócios
que relacionam o aumento do desempenho financeiro, da inovação ou do
impacto social a organizações com lideranças e conselhos mais diversos,
quanto pelas evidências na pesquisa do ensino superior que associam isso a
melhores resultados para os estudantes e organizações mais fortes. Um
Painel de Especialistas sobre Práticas de EDI para Mudança
Impactante
na pesquisa pós-secundária no Canadá, mostra que é preciso fazer mais, e
não menos, para acelerar o impacto da EDI rumo a uma transformação
efetiva. Precisamos avançar para construir sistemas inclusivos por meio de
consultas significativas, remoção de barreiras e responsabilidade real — o
que a
Força-Tarefa Canadense de Revisão da Equidade no Emprego
chama de igualdade substantiva — um modelo que busco em todo meu trabalho.
O painel de especialistas e o grupo de trabalho de revisão da equidade no
emprego destacaram a necessidade tanto da continuidade na eliminação de
barreiras quanto de uma abordagem proativa e abrangente em todo o sistema
em relação à EDI, a fim de garantir avanços na erradicação das
desigualdades sistêmicas e dos consequentes resultados desiguais e, de
forma geral, abaixo do ideal no aprendizado, na pesquisa e na inovação
para todos.
Em 2022-23, o Escritório de Equidade da Simon Fraser University lançou seu
primeiro plano estratégico de EDI: o
Equity Compass. Ele foi construído com base em evidências e amplo engajamento da
comunidade. Foram analisados 15 documentos institucionais da SFU sobre
equidade, diversidade e inclusão. Além disso, foram organizadas mais de 30
mesas-redondas, reunindo mais de 250 membros da comunidade acadêmica
(docentes, técnicos e estudantes), resultando em mais de 800 linhas de
feedback para a estrutura do plano. O resultado foi um framework
estratégico com 5 metas que abordam tanto a remoção de barreiras (com
políticas e práticas para combater o racismo, o ódio e todas as formas de
discriminação) quanto uma abordagem proativa e sistêmica para promover a
Excelência Inclusiva na SFU: Meta #1 - Respeito, Inclusão e Pertencimento;
Meta #2 - Responsabilidade, Liderança e Governança; Meta #3 – Educação e
Desenvolvimento de Capacidades; Meta #4 - Equidade no Emprego e na
Remuneração; Meta #5 - Dados sobre Equidade. Em resposta às contribuições
da comunidade, o
relatório anual de 2024
foi atualizado para incluir ações voltadas ao combate ao antissemitismo. O
plano conta com 11 objetivos associados a essas metas e 35 ações
recomendadas.
A tabela abaixo apresenta um panorama do progresso nas ações descritas no
relatório Equity Compass.
Meta:
Progresso
2024-25
Até junho de 2025, todas as ações identificadas no Equity Compass estão
em andamento, bem avançadas ou concluídas.
Alguns destaques incluem:
Meta 1: Respeito, Inclusão e Pertencimento – Cultura e
Estruturas
Transformando as experiências de acessibilidade na SFU
O
Plano de Acessibilidade
inaugural da universidade foi lançado no outono de 2024, baseado nas
necessidades de estudantes, professores, funcionários e ex-alunos com
deficiência. Construído sobre a base criada pelo Comitê de Acessibilidade
e pelo mecanismo de feedback estabelecido em 2023, o plano descreve as
mudanças sistêmicas necessárias para construir uma SFU mais inclusiva. O
plano também garante conformidade com a
Accessible British Columbia Act
(Lei da Colúmbia Britânica Acessível) e prevê espaço para responder aos
padrões provinciais e ao feedback da comunidade nos próximos anos.
Centro de Estudantes Negros
Um progresso significativo foi alcançado na criação do Centro de
Estudantes Negros na SFU. Baseado na defesa e ativismo liderados pelos
estudantes, o Centro é um componente central do compromisso da SFU em
combater o racismo e promover a inclusão da população negra, conforme
estabelecido por uma moção do Senado e pelo Scarborough Charter. A SFU
nomeou o primeiro Diretor Associado do Centro no início de 2025.
Aprimorando o apoio às famílias na SFU
Neste ano, a SFU lançou espaços dedicados e recursos para ajudar pais e
mães a equilibrar os estudos, trabalho e responsabilidades parentais.
Agora existem salas para alimentação de bebês/crianças nos três campi,
oferecendo espaços privados e confortáveis para apoiar os pais que
precisam alimentar seus filhos enquanto estão no campus.
Meta 2: Responsabilidade, Liderança e Governança
Com base nos papéis e responsabilidades de liderança estabelecidos no
primeiro ano em cada vice-presidência, um progresso significativo foi
feito para avançar no suporte ao progresso institucional em equidade,
diversidade e inclusão. Neste ano, cada vice-presidência revisou suas
metas de EDI previamente estabelecidas e começou a tomar ações concretas
para promovê-las. O progresso está em andamento em toda a universidade,
com cada área de vice-presidência implementando estratégias que
respondem às necessidades específicas de suas comunidades e áreas de
atuação.
O novo espaço para alimentação de bebês e crianças no campus de
Vancouver oferece um ambiente confortável para pais e mães que estejam
amamentando ou alimentando seus filhos pequenos.
Meta 3: Educação e Desenvolvimento de Capacidades
Os trabalhos continuam para a criação de um framework de Desenvolvimento de Liderança em Excelência Inclusiva, que oferecerá treinamentos em antirracismo, antiopressão e equidade, diversidade e inclusão para os líderes da SFU, além de um percurso educacional semelhante voltado para docentes e funcionários
O programa RESPECT, aberto a todos os professores e funcionários da SFU, segue oferecendo ensino e treinamento nas áreas de segurança cultural, antirracismo, descolonização e inclusão de povos indígenas. Até o momento, 107 pessoas participaram, incluindo 30 integrantes da liderança executiva e 30 participantes da Escola de Medicina.
Meta 4: Equidade no Emprego e na Remuneração
O trabalho para implementar os Programas Especiais aprovados para contratação de professores e funcionários negros e indígenas continua em coordenação com o Escritório de Equidade, Estratégias de Pessoas e Relações com o Corpo Docente. O plano de implementação e os kits de ferramentas desenvolvidos no primeiro ano foram lançados para apoiar as faculdades e departamentos com recrutamento, integração, treinamento e mentoria, alinhados aos requisitos do Escritório de Direitos Humanos da Colúmbia Britânica (BCOHRC).
Meta 5: Dados sobre Equidade
Com o Objetivo 1 (estabelecer uma força-tarefa de dados sobre equidade) cumprido no primeiro ano do Equity Compass, um progresso significativo foi feito para concluir o Objetivo 2 (desenvolver um framework para equidade) neste ano. A primeira Pesquisa Demográfica e de Diversidade foi realizada entre setembro e dezembro de 2024, com dados anonimizados e agregados publicados no Painel Demográfico e de Diversidade em abril de 2025.
Os dados coletados ajudarão a cumprir os requisitos regulatórios institucionais, apoiar programas e serviços equitativos e responsáveis e medir o progresso em relação às prioridades institucionais.
Com a participação geral na pesquisa ficando abaixo do esperado no outono de 2024, sabemos que ainda há muito a ser feito para aumentar a conscientização e o entendimento sobre a importância da coleta desses dados entre a comunidade da SFU. Utilizaremos os aprendizados desta pesquisa inaugural para fortalecer os esforços futuros.
O que nos mantém motivados e por que é fundamental continuar o trabalho de EDI? Não há transformação sistêmica no setor de ensino superior sem fomentar o pleno potencial de todos os docentes, funcionários e estudantes. Isso — nosso florescimento humano coletivo e a ação conjunta pela transformação — é, em última análise, o que a EDI representa e por que ela é inegociável.