Publicado em mar 2026
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O velho mundo está se desfazendo, e os modelos que disseram para você seguir já estão ultrapassados. Entramos em uma era de alto risco, em que estabilidade já não é algo garantido — e sim algo que precisa ser construído. Como Presidente Fundadora da Swiss Academy for Leadership and Sustainability (SALS), vejo um cenário global em busca de um novo tipo de gravidade. A era do “caminho profissional seguro” acabou; agora estamos na era do arquiteto. E esse arquiteto precisa ser você.
O “degrau quebrado” da escada corporativa — aquele primeiro passo em que as mulheres perdem o impulso — não é inevitável; é uma falha de design. Para liderar em 2026, você não pode simplesmente esperar por um lugar à mesa. Você precisa ir além dos papéis tradicionais e se adaptar rapidamente, abrindo novos corredores de habilidade, influência e domínio técnico.
Tornando-se tomadora de decisões do “hard power”
Precisamos enfrentar o chamado Ambassador Gap (lacuna de representação em cargos diplomáticos). Segundo o Presidente da Assembleia Geral da ONU e a ONU Mulheres, desde 1947 93% de todos os Representantes Permanentes da ONU foram homens. Atualmente, as salas de decisão de alto nível continuam desproporcionais: os relatórios “Women in Politics”, um projeto anual conjunto da ONU Mulheres com a IPU (União Interparlamentar), mostram que mulheres lideram 86,7% das pastas de igualdade de gênero, mas ocupam apenas 17,8% dos Ministérios das Relações Exteriores e apenas 13% dos Ministérios da Defesa em todo o mundo. Romper essas barreiras em áreas consideradas “duras” exige uma mudança deliberada em direção à inteligência geopolítica, finanças, tecnologia, defesa, negociações multilaterais e outros campos estratégicos.
O mandato da paz: liderando em um mundo em guerra
O tempo de esperar acabou. Vivemos em um mundo em que o número de conflitos armados mais do que dobrou em apenas 15 anos, chegando a cerca de 130 conflitos ativos globalmente. Em 2024, o mundo registrou 59 conflitos ativos entre Estados — o maior número desde o fim da Segunda Guerra Mundial. É hora de a realidade poderosa da liderança feminina se tornar o alicerce de que o mundo precisa. A natureza da guerra mudou, tornando-se mais fragmentada e mais difícil de resolver por estruturas tradicionais de poder, historicamente dominadas por homens.
Nesse cenário, a liderança das mulheres é uma exigência estratégica para reforçar a paz e a estabilidade multilateral. Pesquisas confirmam que a paz e a estabilidade de longo prazo são significativamente mais duradouras — com acordos 35% mais propensos a permanecer em vigor por 15 anos — quando mulheres participam das negociações. Precisamos mostrar que política e diplomacia não são apenas palcos superficiais de representação, mas corredores pelos quais devemos caminhar com intenção para garantir a sobrevivência global.
Rompendo a barreira financeira
O verdadeiro poder é inseparável da influência econômica. Por muito tempo, as altas esferas das finanças foram um “corredor fechado”, embora sejam o motor que impulsiona as mudanças globais. Precisamos capacitar as mulheres a dominar a educação financeira, desde capital de risco e private equity até a política fiscal internacional.
Quando as mulheres controlam o capital, as prioridades de investimento passam a favorecer a estabilidade de longo prazo e o impacto social. Educar mulheres em finanças não é apenas sobre riqueza; é sobre oferecer as ferramentas para financiar o futuro que você deseja ver. Ao dominar a linguagem dos mercados, você deixa de ser apenas uma participante da economia e passa a se tornar uma de suas principais arquitetas.
Dominando a fronteira tecnológica
Para prosperar hoje, precisamos reduzir a lacuna e ocupar funções técnicas que historicamente foram dominadas por homens. A disrupção tecnológica trouxe uma nova camada de urgência: quase 28% dos empregos ocupados por mulheres estão em risco devido à automação por IA, em comparação com 21% dos empregos ocupados por homens. Isso ocorre, em grande parte, porque as mulheres ainda estão super-representadas em funções administrativas, que são as primeiras a serem automatizadas.
No entanto, à medida que as organizações se tornam mais complexas, as habilidades “humanas” mais difíceis de automatizar — empatia, colaboração e liderança interfuncional — estão se tornando a moeda mais valiosa do mundo. Dominar competências técnicas como IA e análise de dados permite que você compreenda as implicações éticas da tecnologia, ao mesmo tempo em que aproveita sua “Inteligência Integrada”. Estudos sugerem que as mulheres frequentemente têm mais facilidade para alternar entre tarefas complexas sem o mesmo nível de fadiga mental que os homens; essa é a sua vantagem competitiva. Não apenas use as ferramentas — seja quem as governa.
Desafiando o status quo
Precisamos reconhecer que, para milhões de meninas e mulheres ao redor do mundo, o direito de aprender e prosperar é um campo de batalha. Segundo o Banco Mundial e o UNICEF, globalmente mais de 129 milhões de meninas estão fora da escola. Em zonas afetadas por conflitos, meninas têm 2,5 vezes mais chance de estar fora da escola do que meninos. Além disso, em muitas sociedades, ainda persiste uma narrativa cultural tóxica: continua sendo considerado “inaceitável” que uma mulher seja mais instruída ou ocupe uma posição profissional mais alta do que o marido. Esse peso mantém mentes brilhantes nas sombras para proteger um status quo frágil.
Se você tem o privilégio do acesso, tem também a responsabilidade de usá-lo. Quando você busca habilidades técnicas e assume posições de alto nível, você não está apenas construindo uma carreira; está desafiando um sistema global que exige subordinação feminina. O seu sucesso é a prova e a inspiração de que outros precisam para confirmar que o lugar de uma mulher é onde ela escolher liderar. Seja a defensora de uma mudança.
As arquitetas da sustentabilidade
O laboratório é o motor do século XXI, mas mulheres representam apenas cerca de 33% dos pesquisadores no mundo. Isso não é apenas uma lacuna de representação; é uma lacuna de resultados. Os dados são claros: quando mulheres lideram em ciência e políticas públicas, vemos um “dividendo da sustentabilidade”. Um estudo com 91 países constatou que maior representação feminina em parlamentos nacionais se correlaciona diretamente com políticas climáticas mais rigorosas e menores emissões de carbono.
Os problemas mais complexos do mundo — da resiliência climática à prevenção de pandemias — exigem os insights específicos e rigorosos que mulheres em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) oferecem. Não deixe a desigualdade de gênero no laboratório desanimar você; deixe que ela te impulsione. Precisamos de mulheres capazes de traduzir dados complexos em estratégias de sobrevivência. Ciência não é apenas descoberta; é deter o poder de definir a realidade do nosso futuro.
Domínio estratégico: poder pode ser ensinado
Precisamos desmontar o mito de que poder é um subproduto de personalidade. Muitas mulheres ouvem que, se fossem mais “assertivas”, a autoridade viria. Isso é falso: poder não é temperamento; é uma habilidade técnica.
A influência real opera por meio do domínio de alavancas específicas: acesso a informações de alto valor, controle de recursos estratégicos e capacidade de moldar agendas antes mesmo que elas sejam visíveis. Apesar de conquistarem metade de todos os diplomas universitários, mulheres ocupam apenas 28% dos cargos de alta gestão no mundo. Seja isso resultado ou não de uma “lacuna de confiança”, alfabetização de poder — entender como a influência se move dentro de um sistema — é essencial. Quando mulheres param de pedir permissão e começam a dominar a arquitetura da influência, deixam de ser participantes e passam a moldar as condições do futuro. O poder não exige uma personalidade específica; exige preparação de elite. Não é coincidência que estejamos vendo um aumento enorme na demanda por treinamentos profissionais em Impacto e Poder de Decisão. O mundo finalmente está percebendo que liderança é um currículo que você pode dominar.
O mandato da irmandade: construindo o sistema de apoio
Não podemos esperar que mulheres liderem se não construirmos sua autoestima e seus sistemas de apoio em cada fase da vida. O “teto de vidro” é um erro estrutural que precisa ser reconstruído de forma intencional. Precisamos enfrentar isso migrando de mentoria — que oferece conselhos — para patrocínio radical, em que líderes oferecem acesso real a fóruns de tomada de decisão.
Tenho um orgulho enorme do trabalho que fazemos na SALS para fortalecer a próxima geração de mulheres agentes de mudança. Por meio da nossa rede global diversa, de programas e mentorias, usamos uma abordagem multifacetada para incluir e empoderar mulheres de todos os cantos do mundo. Seja por iniciativas de alfabetização digital em mercados emergentes ou por bolsas em sustentabilidade na Europa, estamos construindo uma rede de apoio sustentável que vai da sua primeira aula de programação aos corredores da diplomacia global. E continuaremos incansavelmente esse trabalho!
Na SALS, também defendemos a “Regra do 3 para 1”: para cada mulher que alcança um marco de liderança, ela deve preparar três sucessoras. Isso garante que ganhos de liderança nunca sejam isolados, criando um legado permanente de poder, e não apenas um assento temporário.
Vai, garota — shake it off (sacode a poeira)!
A era de esperar por um convite acabou. Veja o “Efeito Taylor Swift” — ela adicionou bilhões ao PIB global por meio de uma maestria estratégica sem paralelo. Mas a lição de liderança dela está na estratégia: ser dona do próprio trabalho, ter visão de longo prazo e construir confiança e lealdade em escala global. Começando como alguém que cantava à beira de um rio, com quase nenhum público, ela construiu um império ao se recusar a terceirizar o controle sobre sua voz. Ela nos lembra: “never be so polite you forget your power” (nunca seja tão educada a ponto de esquecer o seu poder).”
“Essas paredes que colocaram para nos segurar irão cair.” Não espere pela mudança; seja quem a constrói. O futuro é seu para criar. Assuma seu poder.