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Liderando com propósito:

Liderando com propósito:

Como Chanceler da Abu Dhabi University (ADU), passei grande parte da minha carreira refletindo sobre o papel em evolução do ensino superior — não apenas como um caminho para o sucesso individual, mas como uma força de transformação social. Na região do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), onde as visões nacionais são ousadas e as mudanças acontecem em um ritmo vertiginoso, as universidades estão em uma posição única para liderar essa transformação. Não estamos mais satisfeitos em apenas seguir as melhores práticas; agora ajudamos a moldá-las.

Em toda a região do GCC, os governos têm cada vez mais colocado a educação como um pilar fundamental de suas estratégias de diversificação econômica. Da Visão 2030 daArábia Saudita à Visão Nacional 2030 do Qatar, a região está alinhando o ensino superior com inovação, desenvolvimento do capital humano e competitividade global. Nesse contexto compartilhado, as universidades estão indo além dos modelos tradicionais — adotando a transformação digital, parcerias com o setor privado e novas formas de certificação.

Na última década, tive a honra de acompanhar — e participar — de uma evolução extraordinária na forma como pensamos o ensino superior na região. Desde a crescente influência da inteligência artificial e do aprendizado digital até as aspirações da geração Z, que é tão conectada globalmente quanto enraizada localmente, o cenário mudou. E continuará a mudar.

 

Alinhando ambição com estratégia: um imperativo regional

A transformação do ensino superior no GCC não acontece isoladamente. Ela faz parte de um realinhamento muito mais amplo, à medida que nossas nações avançam com ousadia rumo a economias pós-petróleo baseadas no conhecimento. Nos EAU, iniciativas como o Centennial2071 articulam uma visão de longo prazo para o desenvolvimento nacional, que coloca o capital humano, a inovação e a educação no centro dessa visão.

Mas essa visão ecoa por toda a região. Novos parques científicos na Arábia Saudita e no Qatar, campi satélites de universidades de destaque nos Emirados Árabes e o foco crescente em ecossistemas empreendedores são marcas desse movimento comum. Instituições de Kuwait ao Bahrain investem em infraestrutura digital, programas de capacitação e pesquisa aplicada — todos com o objetivo de formar graduados preparados para um mundo globalizado e em rápida transformação.

Na ADU, nossas prioridades estratégicas estão profundamente alinhadas com esses objetivos nacionais e regionais. Temos orgulho de ser uma das principais instituições dos EAU, não apenas em termos de rankings e produção acadêmica, mas também por nossa contribuição ao bem-estar social mais amplo. Nos vemos não apenas como uma universidade, mas como parceira no futuro da nação — e da região.

 

Reconhecimento em ascensão: não apenas rankings, mas relevância

Nos últimos anos, a ADU tem recebido um crescente reconhecimento internacional. No ranking mundial de universidades da Times Higher Education (THE) de 2025, ficamos na 191ª posição global, com nossos programas de Negócios e Economia classificados em 62º lugar no mundo. Também conquistamos posições fortes nos rankings QS, incluindo um lugar entre as 200 melhores do mundo para nosso MBA, e fizemos nossa estreia no Ranking Global de Disciplinas Acadêmicas de Xangai nas áreas de Direito e Gestão.

Esses marcos refletem uma ascensão mais ampla das instituições do Golfo no cenário global. A Universidade King Abdulaziz, da Arábia Saudita, a Universidade do Qatar e a Universidade do Kuwait também têm subido de forma constante nos rankings internacionais. No Ranking THE da Região Árabe, as universidades do Golfo dominam consistentemente o top 20. Esses sucessos refletem uma ambição regional mais ampla — que não se limita a modernizar a educação, mas a liderar globalmente em áreas específicas de excelência acadêmica.

Quando recebemos o prêmio de Equipe de Liderança e Gestão do Ano no THE Awards Arab World 2024, não foi apenas um momento de orgulho para nossa equipe. Foi, acima de tudo, um reflexo do árduo trabalho de nosso corpo docente, funcionários e estudantes — e uma validação do sucesso da nossa cultura institucional de inovação e responsabilidade.

 

Preparando estudantes para o mundo real — e para o desconhecido

Estamos passando por uma mudança profunda no que significa estar “preparado” para o mercado de trabalho. Hoje, os empregadores buscam muito mais do que qualificações técnicas; querem graduados que sejam emocionalmente inteligentes, eticamente fundamentados e capazes de trabalhar em equipes diversas e multidisciplinares. Na ADU, abraçamos essa realidade com convicção.

Esse foco na empregabilidade dos formandos e na “preparação para o futuro” é compartilhado em toda a região do GCC. Na Arábia Saudita e nos EAU, órgãos nacionais de acreditação avaliam o desempenho das universidades com base nos resultados dos formandos, nas parcerias com a indústria e no desenvolvimento de habilidades práticas. A Comissão para Acreditação Acadêmica (CAA) dos Emirados, por exemplo, utiliza um modelo baseado em seis pilares, que inclui empregabilidade, colaboração com a indústria e impacto em pesquisas.

Costumo dizer aos nossos estudantes que a inteligência hoje é plural, não singular. Não se trata mais apenas de QI. Trata-se de inteligência digital, fluência cultural, consciência emocional, bem como julgamento ético. Nosso modelo de competências para graduados parte dessa ideia, ajudando os estudantes a desenvolver a variedade de habilidades que precisarão para ter sucesso — não apenas no primeiro emprego, mas ao longo de toda a vida.

Investimos significativamente em aprendizagem baseada em projetos, educação experiencial e parcerias com a indústria para garantir que nossos estudantes lidem com problemas do mundo real. Nosso Programa de Engajamento com a Indústria conecta os alunos a mais de 2.000 parceiros, enquanto nosso Programa de Engajamento Global nos liga a mais de 5.000 colaboradores acadêmicos ao redor do mundo. Esses números não são apenas estatísticas — são caminhos para novas ideias, intercâmbio cultural e oportunidades de carreira significativas.

Um relatório do McKinseyGlobal Institute prevê que, até 2030, a automação poderá levar à perda de até 800 milhões de empregos no mundo, mas também serão criados 950 milhões de novos postos. Por isso, é fundamental que os formandos desenvolvam habilidades excepcionais além de suas áreas de especialização, abraçando as qualidades mencionadas anteriormente.

 

Tecnologia como facilitadora, não substituta

A transformação digital no ensino superior não está mais no horizonte — ela já é uma realidade. Mas, na ADU, temos sido intencionais em garantir que a tecnologia potencialize, em vez de substituir, os elementos humanos do aprendizado.

Essa é uma prioridade compartilhada em toda a região do GCC. Muitas universidades estão investindo em tecnologias para campus inteligentes, plataformas de aprendizagem baseadas em IA e análises preditivas para melhorar o engajamento e o sucesso dos estudantes. No Qatar e na Arábia Saudita, universidades lançaram iniciativas nacionais de alfabetização digital e em IA para capacitar tanto professores quanto alunos com habilidades da próxima geração.

Desenvolvemos nossa própria infraestrutura de campus inteligente que incorpora análises preditivas, jornadas de aprendizado personalizadas e suporte acadêmico assistido por IA. Também atualizamos nosso Sistema de Gestão de Aprendizagem para oferecer conteúdos digitais flexíveis e interativos, alinhados às necessidades e estilos de aprendizado dos estudantes.

 

Empreendedorismo, inovação e o futuro do trabalho

Em consonância com a busca dos Emirados Árabes pela diversificação econômica, a ADU está colocando o empreendedorismo e a inovação no centro de sua estratégia. Por meio do nosso Centro de Inovação, apoiamos estudantes no desenvolvimento e lançamento de seus próprios empreendimentos. Queremos que nossos formandos se vejam não apenas como buscadores de emprego, mas como criadores de emprego.

Essa abordagem reflete uma tendência regional. Países do GCC estão construindo ecossistemas nacionais de empreendedorismo, com incubadoras, competições de startups e redes de apoio a pequenas e médias empresas já integradas ao cenário educacional. Desde os programas Tamkeen em Bahrein até a Fundação MiSK na Arábia Saudita, as instituições de ensino superior são chamadas a desempenhar um papel ativo na criação de empregos.

Estamos ativamente criando programas que respondem a áreas emergentes, desde ética em IA até tecnologia verde. Essas são áreas que importam não só para o mercado de trabalho, mas para a sociedade como um todo. Nossos institutos de pesquisa também focam em prioridades nacionais e regionais, com temas como saúde, sustentabilidade, educação e inovação digital.

 

Uma universidade global com uma alma forte e local

Um dos nossos princípios norteadores na ADU é manter uma visão global combinada com raízes locais. A internacionalização não se resume apenas a campi satélites ou programas de intercâmbio. Trata-se de criar uma cultura no campus onde diversas perspectivas são valorizadas, os desafios globais são compreendidos e as realidades locais são respeitadas.

Temos orgulho de fazer parcerias com universidades ao redor do mundo, mas também valorizamos profundamente a forma como incorporamos os valores árabes e islâmicos em nosso currículo e na vida no campus. Essa ênfase na identidade cultural e relevância é compartilhada por nossos pares em toda a região do GCC, que também buscam integrar patrimônio e visão global em seus ambientes acadêmicos.

 

Olhando para o futuro: moldar, não apenas sobreviver

Ao refletir sobre o futuro do ensino superior em nossa região, sou ao mesmo tempo realista e profundamente otimista. Enfrentamos desafios complexos, desde mudanças climáticas até automação, mas acredito que universidades como a nossa — fundamentadas em uma missão clara e audaciosas em sua estratégia — continuarão a desempenhar um papel central.

Na ADU, não estamos apenas reagindo às mudanças. Estamos ajudando a moldá-las. Por meio de nossas parcerias, pedagogia, pesquisa e engajamento estudantil, queremos contribuir para um ecossistema de ensino superior que seja inclusivo, focado no futuro e com impacto social.

E enquanto a jornada da ADU continua, ela faz parte de uma história maior — um movimento regional das universidades do Golfo que trabalham juntas para redefinir o que o ensino superior pode e deve ser. Minha mensagem para colegas educadores e líderes institucionais é simples: este é o nosso momento. Vamos usá-lo não apenas para nos adaptarmos — mas para imaginar, construir e liderar.